Quem é Vanderlei Natividade, alvo da PF e tesoureiro da ONG de Karina Gama que movimentou R$ 83 milhões

  • 10/09/2026
(Foto: Reprodução)
O eletricista Vanderlei Natividade, alvo da Polícia Federal nesta quinta-feira (10), por ser tesoureiro da ONG Instituto Conhecer Brasil, de Karina da Gama. Reprodução/Redes Sociais Um dos alvos da operação da Polícia Federal contra a produtora do filme ‘Dark Horse’ é o tesoureiro do Instituto Conhecer Brasil (ICB), Vanderlei Magalhães Natividade. O ICB pertence à produtora Karina da Gama, idealizadora do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O endereço de Natividade foi alvo de busca e apreensão pelos agentes federais nesta quinta-feira (10) e ele está proibido de deixar o Brasil. O g1 procura a defesa dele para comentar a operação da PF, mas ainda não obteve retorno. Segundo a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), Vanderlei Natividade teria movimentado mais de R$ 83 milhões do ICB entre setembro de 2023 e agosto de 2024. Vanderlei é um eletricista que faz reparos industriais na Brasilândia, Zona Norte de SP, região onde a dona do ICB – Karina da Gama, produtora do filme Dark Horse, cresceu. O eletricista Vanderlei Magalhães Natividade, que morava na Brasilândia e aparece como tesoureiro do Instituto Conhecer Brasil, da empresária Karina da Gama. Reprodução/Redes Sociais No WhatsApp, Natividade afirma que trabalha como eletricista industrial, segurança digital (câmera e alarme), controle de acesso e segurança digital – bombeiro. Segundo o documento do STF, o eletricista tinha poderes para movimentar todas as contas do ICB, “incluindo aquelas em que foram identificadas as mais vultosas” operações financeiras da ONG, que tem um contrato anual de R$ 108 milhões com a Prefeitura de SP. A reportagem da TV Globo esteve na tarde de 13 de maio na casa de Vanderlei e constatou que ele morava, na época, numa casa bastante simples no fundo de um terreno onde a família de Karina da Gama também residia. Foto da casa onde vive o eletricista Vanderlei Natividade, no bairro da Brasilândia, Zona Norte de SP. Reprodução/Polícia Civil de SP No local, ele chegou a se apresentar como parente de consideração da empresária produtora do filme Dark Horse. A defesa de Karina Ferreira da Gama informou que apresentou uma reclamação constitucional ao STF após a operação da Polícia Federal desta quinta-feira (10). Segundo o advogado Ricardo Sayeg, a medida não questiona o mérito da investigação e busca garantir o cumprimento de decisões da Presidência do STF e a competência do juiz natural. A defesa afirma ainda que Karina vinha colaborando espontaneamente com a investigação e entregou à PF, na última sexta-feira, mais de 20 mil páginas de documentos. Ministro Flávio Dino cita Vanderlei Natividade na decisão que autorizou a operação da Polícia Federal nesta quinta-feira (10). Reprodução/STF O eletricista Vanderlei Magalhães Natividade, que morava na Brasilândia e aparece como tesoureiro do Instituto Conhecer Brasil, da empresária Karina da Gama. Reprodução Outros alvos A Operação da Polícia Federal desta quinta-feira (10) também teve como alvos empresas que prestaram serviços ao gabinete do deputado federal Mário Frias (PL), em Brasília. As duas empresas são dos empresários André Feldman e Wemerson Marinho da Gama, ex-marido de Karina Ferreira da Gama, a produtora do filme sobre Bolsonaro. Mário Frias também é produtor-executivo do filme ‘Dark Horse’ e a empresária Karina da Gama prestou serviços de campanha para ele durante a eleição de 2022. Os empresários Wemerson Marinho da Gama, Karina da Gama e André Feldman, ligados ao Instituto Conhecer Brasil e também ao gabinete do deputado Mário Frias (PL). Reprodução/Redes Sociais Segundo o portal da Transparência da Câmara dos Deputados, a empresa Complexsys Soluções Integradas Ltda – de André Feldman – recebeu R$ 154 mil do gabinete de Frias entre setembro de 2024 e abril de 2026, dinheiro da cota parlamentar. Já a empresa GTrend – de Wemerson Marinho da Gama - recebeu R$ 115,6 mil do gabinete do deputado entre abril de 2023 e agosto de 2024. Conforme o g1 já publicou, Complexsys Soluções Integradas Ltda emitiu várias notas de prestação de serviço de auditoria dos pontos de wi-fi para o Instituto Conhecer Brasil (ICB), dono do contrato de wi-fi com a gestão municipal do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Além da Complexsys, a empresa Fastfuture Tecnologias Emergentes Ltda, da esposa de André Feldman – Débora Feldman – também emitiu notas fiscais para o ICB dentro do contrato milionário com a prefeitura da capital paulista. Karina da Gama é investigada no caso da instalação de wi-fi e no caso 'Dark Horse' Já Wemerson Marinho da Gama era secretário-geral do ICB na época da assinatura do contrato para a prestação de serviços com a gestão Nunes, em junho de 2024, poucos meses antes da campanha municipal em que Nunes foi reeleito. Mário Frias, André Feldman, Wemerson Marinho da Gama e Débora Feldman são alvo de busca e apreensão nesta quinta (10) e estão no hall de 49 empresas e pessoas físicas investigadas no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF), sob tutela do ministro Flávio Dino. Em conversa com a GloboNews, o prefeito Ricardo Nunes negou que houvesse irregularidades no contrato do ICB com a gestão municipal. “Foi aberta apuração na Controladoria [Geral do Município] logo no início. Até o momento nenhuma irregularidade no contrato com a prefeitura”, disse Nunes. Karina da Gama é recebida pelo Prefeito Ricardo Nunes (MDB), em visita na sede da Prefeitura de SP, no Centro. Reprodução/Redes Sociais A operação da PF nesta quinta (10) foi autorizada pelo ministro do STF Flávio Dino e investiga os crimes de peculato (crime praticado por um funcionário público que se apropria de valores ou bens públicos em razão do cargo), falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa, fraudes e crimes licitatórios. Por meio de nota, Wemerson Marinho disse que "cumpriu integralmente as determinações judiciais e que a medida executada possui natureza cautelar e não representa denúncia, condenação ou reconhecimento de culpa". "Por respeito à investigação em curso e às determinações judiciais vigentes, não comentarei fatos atribuídos a terceiros, documentos, movimentações financeiras ou elementos ainda submetidos à apuração. Minha defesa está adotando as providências jurídicas cabíveis e prestará todos os esclarecimentos necessários exclusivamente pelos meios processuais adequados. Permaneço à disposição das autoridades e confio que a apuração técnica e imparcial esclarecerá os fatos", afirmou. A empresa Complexys - do empresário André Feldman - informou que a "operação da Polícia Federal vai comprovar, novamente, que os recursos recebidos pela empresa foram usados somente no contrato para manutenção da rede do Wi-Fi na cidade de São Paulo, sem qualquer vinculo com o financiamento para produção do filme, objeto de investigação". "A perícia independente, já anexada nos inquéritos policiais, também comprova que não existe nenhuma relação entre o contrato da empresa com a produtora Go UP", declarou.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/09/10/quem-e-vanderlei-natividade-alvo-da-pf-e-tesoureiro-da-ong-de-karina-gama-que-movimentou-r-83-milhoes.ghtml


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