Gestante que perdeu bebê no parto relata falta de estrutura e atendimento em hospital alvo de CPI: 'Não tem dinheiro que pague a vida'
23/04/2026
(Foto: Reprodução) Denúncias apontam problemas graves no Conjunto Hospitalar de Sorocaba
Uma gestante que perdeu o bebê no parto relatou falta de estrutura e atendimento no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS). A unidade é alvo de uma CPI para apurar denúncias de negligência, mortes suspeitas e superlotação.
Em entrevista à TV TEM, Lauren Andreoli alega que o bebê não teve a assistência necessária durante o nascimento. "Não tem dinheiro que pague a vida dele. O que eu queria era ele comigo. E isso ninguém vai conseguir trazer de volta", disse.
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Da esquerda para a direita estão Caroline Andreoli e a filha, Lauren Andreoli, de Sorocaba (SP)
TV TEM/Reprodução
A mãe da paciente, Caroline Andreoli, também destacou que, apesar da dor do luto, o assunto precisa ser discutido, para que a situação da saúde melhore no CHS.
"Nenhuma mãe merece entrar lá [hospital] com a barriga enorme e sair de mãos vazias. Nós queremos dar voz e mostrar o que tá acontecendo. Para que eles deem mais atenção às vidas, não só ao bolso", pontuou.
Mãe da paciente, Caroline Andreoli, também destacou que, apesar da dor do luto, o assunto precisa ser discutido, para que a situação da saúde melhore no CHS
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Condições precárias
Outros pacientes também relatam que demoram para conseguir uma vaga ou quarto para serem atendidos, e que, quando conseguem, encontram equipamentos quebrados, portas e paredes arrebentadas além de banheiros em péssimas condições.
Cintia Lopes, diretora regional do Sindicato da Saúde de Sorocaba (Sinsaúde), explica que as condições precárias da unidade podem prejudicar os pacientes de formas graves, podendo causar até mesmo infecções.
"É grave, né? Porque torna-se insalubre o local. A estrutura precária pode gerar infecções porque também tem as macas que não funcionam, que tem ferrugem, algumas faltam a guarda para proteger para que o paciente não caia. (...) Na central de material eles tem que ficar numa temperatura entre 19 e 22 graus, tem chegado a 30 com as janelas abertas, que não é permitido", destacou Cintia.
Cintia Lopes, diretora regional do Sindicato da Saúde de Sorocaba (Sinsaúde), fala sobre situação do CHS em Sorocaba (SP)
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A diretora ainda conta que animais também já foram encontrados na unidade e estariam invadindo o prédio por espaços pequenos e janelas que ficam abertas.
O conselheiro estadual de saúde, André Pudim, contou que existem algumas reformas sendo feitas na unidade, mas são pontuais e, muitas vezes, não é de fato a mudança que precisa chegar até a população.
"É aquelas reformas que são mais diretas. Como cuidar dos quartéis de uma melhor maneira, você ter uma questão de sistema hidráulico, sistema elétrico mais apropriado. Até mesmo as questão de acessibilidade, muitos setores lá, por exemplo, não tem acessibilidade adequada, elevadores que não funcionam, inclusive são utilizados para transporte tanto de paciente como também para lixo hospitalar e alimentação. Então, todo esse conjunto de situações traz cada vez mais precariedade para saúde do paciente", pontuou.
Conselheiro estadual de saúde, André Pudim, fala sobre problemas do CHS
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Abertura de CPI
O hospital CHS, que é referência para dezenas de cidades da região de Sorocaba, já passou por diversas mudanças na diretoria, até mesmo de governo, mas segue enfrentando problemas e recebendo denúncias graves de descaso com a saúde.
Para apurar denúncias de negligência, mortes suspeitas e superlotação no Conjunto Hospitalar de Sorocaba, a Câmara Municipal vai instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
A abertura da comissão, que terá duração de 90 dias, foi aprovada nesta quarta-feira (22), após 11 vereadores assinarem o requerimento.
A CPI deve focar em três pontos principais das denúncias contra o hospital:
Mortes suspeitas e possíveis falhas no atendimento;
Superlotação e uso inadequado de leitos;
Atrasos em cirurgias que podem ter agravado o estado de saúde dos pacientes.
A criação da CPI foi impulsionada por um dossiê de 40 páginas apresentado pelo vereador Ítalo Moreira (Missão) após uma audiência pública em abril. O documento reúne fotos, depoimentos e reportagens sobre a situação do hospital.
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